sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Deixar ir...

 
Eu não tinha palavras para o que estava a acontecer... Simplesmente, não existiam.... A dor. Sim, podia ser uma palavra que descrevesse um dos sentimentos que estva a sentir.... Mas não... Era mais do que isso... Parecia um conjunto de sentimentos, ódio, raiva, tristeza, dor, loucura, e outros tantos, mas que pareciam um só sentimento, um sentimento que tinha sido o resultado destes sentimentos misturados..... Também isso não interessava, só interessava é que estava a senti-lo... E era horrível. Queria apenas morrer para esse sentimento desaparecer mas, mesmo assim, eu achava que aquele sentimento íria acompanhar-me até depois da morte, para o céu ou para o inferno... Depois disto, eu tinha a certeza que eu ía para o inferno. Que outro lugar poderia ir? Eu tinha matado o meu irmãozinho, quem mata o seu irmão não tem perdão. Eu apenas agarrava-o com as minhas mãos sujas de sangue, sangue que não me pertencia. Queria chorar mas parecia que os meus olhos estavam secos. Eu não conseguia ver os seus olhos, porque aqueles olhos não eram dele, eram de um corpo oco, cuja a alma deveria estar a chegar aos céus, onde pertencia. No entato, eu sentia-o. Ele estava ali, provavelmente por mim. Por causa da sua assassina. Aquela ideia aterrorizava-me. Mas o que poderia fazer?
Passados uns minutos (que para mim pareceu horas por causa daquele sentimento terrível) ela apareceu. Eu lembrava-me dela... Mas não conseguia pensar quem seria exactamente, por causa daquela dor agoniante... Ela pôs a sua mão em cima do meu ombro e disse umas paalavras que não ouvi... Pareciam estar a reconfortar-me... Eu não merecia a sua amizade, eu era uma assassina. Então de repente senti algo na bochecha que fez com que eu mexe-se um pouco a cabeça. Eu olhei para ele e vi uma mistura de tristeza e calma. Não compreendia para ela me dar uma estalada não tinha de estar furiosa comigo?
"Deixa-o ir Din, deixa-o descansar"
Então eu larguei aquele corpo oco e sorri para o nada, tendo a certeza que ele estava ali. Então deixei de sentir a sua presença. A minha cara ficou um pouco quente. Eram lágrimas gordas que escorregavam pela minha face. 

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